Por
vezes esqueço-me de viver; de tal forma que o que me resta são
escapadelas ao meu mundo privado. “Escrever é esquecer”, maior
mentira do que essa não pode haver, escrever é deixar marca, é dar
vida, é criar, é lembrar, é... tudo um pouco; escrever é a vida
depois da vida. É o fôlego que faltava dar após a morte onde serei
relembrado apenas por umas folhas com umas impressões que um dia
fizeram sentido para alguém ou apenas para mim mesmo; posso
afastar-me de tudo e soltar o deus que há em mim, posso pôr todos
os problemas de parte, ignorar a minha vida que aos olhos dos outros
é real e voltar a viver. Voltar a viver dentro de mim, dentro do meu
portátil e das minhas teclas, dos circuitos que interligam tudo até
ao monitor e fazem “isto”, aparecer estas letras que dão asas à
minha imaginação e me fazem esquecer o “verdadeiro” mundo.
Afinal “Escrever é esquecer”... Esqueço-me da realidade. Só me
lembro quando me batem à porta a avisar que tenho contas para pagar
e que nenhum livro, poema, ou o que quer que eu tenha escrito foi
vendido.
Este
é o meu mundo privado.
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