domingo, 17 de junho de 2012

Vida versus Realidade


Por vezes esqueço-me de viver; de tal forma que o que me resta são escapadelas ao meu mundo privado. “Escrever é esquecer”, maior mentira do que essa não pode haver, escrever é deixar marca, é dar vida, é criar, é lembrar, é... tudo um pouco; escrever é a vida depois da vida. É o fôlego que faltava dar após a morte onde serei relembrado apenas por umas folhas com umas impressões que um dia fizeram sentido para alguém ou apenas para mim mesmo; posso afastar-me de tudo e soltar o deus que há em mim, posso pôr todos os problemas de parte, ignorar a minha vida que aos olhos dos outros é real e voltar a viver. Voltar a viver dentro de mim, dentro do meu portátil e das minhas teclas, dos circuitos que interligam tudo até ao monitor e fazem “isto”, aparecer estas letras que dão asas à minha imaginação e me fazem esquecer o “verdadeiro” mundo. Afinal “Escrever é esquecer”... Esqueço-me da realidade. Só me lembro quando me batem à porta a avisar que tenho contas para pagar e que nenhum livro, poema, ou o que quer que eu tenha escrito foi vendido.
Este é o meu mundo privado.

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