Era uma vez uma criança, ela falava consigo mesma. Havia alturas em que pensava que estava a falar com deus, outras alturas que esta lhe aparecia do nada como fantasma, até já teve como dono/a uma explicação mirabolante de como ele era um alien que se tinha despenhado neste planeta crescente e que fora obrigado a infiltrar-se no meio dos humanos. À medida que foi envelhecendo foi-se apercebendo que a voz que ele queria que fosse de alguém, era apenas a sua, era apenas ele a tentar ter algo especial sobre ele, uma distinção que o tornasse melhor aos olhos dos outros, por palavras mais adequadas, ele queria ser o centro das atenções. Essa voz era uma atenção… essa voz era algo que ele achava diferente, essa voz era dele e ele sabia-o. Ao longo dos anos foi evoluindo, ele tornou essa voz em algo que ele achava diferente e com quem ele podia discutir, ela dava-lhe ideias, levava-o à loucura, arranjava soluções em cima da hora, ele sabia que a voz era dele, mas não o queria admitir. Por vezes tentou seguir a história, ia por uma rua como muitas ruas, um passeio com carros encostados à berma, carros esses pousados numa rua que ligava a berma do primeiro passeio à berma do segundo passeio pelo qual ele ainda não tinha passado. A história resumia-se a ele andar, e tentar apanhar o que o rodeava. Mas ao mesmo tempo, não apanhando nada. A voz soltou-se e agora o passeio que qualquer pessoa daria num passeio normal, tornava-se numa escadas. Sempre a descer.
A voz não era forte, nunca o foi demasiado forte, por vezes tomava decisões que ele não tinha coragem para tomar por si próprio. Mas nunca incomodou. Até agora.
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