terça-feira, 19 de junho de 2012

O melhor manifesto do mundo, Utópico





Ilustração baseada no jogo indie - Home: http://homehorror.com/  





O melhor Manifesto do mundo utópico.


1º - Parem de fazer merda.
Este ponto crucial passa pelo bom senso, hoje em dia somos bombardeados constantemente por design de comunicação, de todos os tipos e géneros, publicidade, causas, advertências etc… com isto temos de ter em mente que muito do que nos rodeia não faz parte da boa comunicação, muitas pessoas fazem design com o propósito de chamar à atenção, mas não têm a consciência de fazer bom design, é como caçar uma mosca com uma bomba, temos o trabalho feito, não quer dizer que seja da melhor forma.

2º - Gostar do que fazem.
Seja a fazer design ou a trabalhar numa loja, cada vez que vejo uma pessoa que não gosta do seu emprego (e não são poucas) penso como é que aquele trabalho pode ser feito ao longo dos anos pela mesma pessoa. Esta é a diferença entre ir a uma loja como por exemplo a gamestop onde as pessoas que lá trabalham percebem de jogos e tentam explicar o melhor possível à nossa dúvida, quando vamos a uma loja grande do género worten além de andarmos 4 horas à procura de alguém, quando encontramos a pessoa que foi ali parar por não ter mais nenhuma opção de carreira, vemos o que aparenta ser uma difícil batalha entre o cérebro e a boca a tentar explicar a diferença de uma playstation e xbox, no fim acabam por se enforcar com o cabo HDMI que vem com as duas. O mesmo se aplica ao design, quando fazemos algo de que gostamos, seja trabalhar com publicidade, numa empresa apenas a fazer o estacionário ou simplesmente freelance a desenhar vectores para fazer t-shirts, a qualidade do trabalho vai reflectir a nossa disposição.

3º Afastem-se do conhecido.
A verdadeira criação vem do desconhecido; quando somos familiares com algo, torna-se mais difícil inovar e criar novos conceitos, ao invés o desconhecido abre novas portas, seja no design ou noutra forma qualquer, não devemos ter medo do que não conhecemos, isso é uma ideia retrógrada que não deixa a sociedade avançar.

4º Não criar problemas, apenas soluções.
Um dos trabalhos do designer é o de solucionar problemas, transmitir informações não antes perceptíveis ao utilizador de forma a que seja fácil a compreensão dessas mesmas informações. Hoje em dia com a facilidade em fazer design "barato" muitas vezes criam-se verdadeiros trabalhos de merda que dificultam cada vez mais o trabalho dos designers dito profissionais, como os designers tem muitas vezes que trabalhar para outros, a opinião dessas pessoas também conta e se estas se habituam a ver trabalhos medíocres que chamam à atenção mas não pelo bom sentido, torna-se difícil discutir o bom senso de um trabalho.

5º Há pessoas a ser evitadas, evitem-nas.
Seja um colega, um patrão ou simplesmente ou designer desconhecido, há pessoas que nos podem mudar, mas de uma forma má, num mundo onde temos de evoluir constantemente há pessoas que nos atrasam de forma psicológica, pode não ser de propósito ou até não acontecer com outras pessoas, mas por vezes temos relações que de certa forma limitam-nos. Ainda mais, por vezes os nossos empregadores não querem saber dos nossos valores e se estivermos em caso de necessidade monetária muitas vezes cedemos a caprichos dos outros que vão contra os nossos ideais.

6º Não cedam à pressão.
Obviamente em tudo temos de ceder um pouco, mas quando fazemos trabalhos mais vale ficar na dúvida e não ceder ao ideais dos outros, a partir do momento que comprometemos os nossos princípios deixamos de ser nós mesmos. No meu caso não quero usar design para fazer dinheiro, não vou contra os meus princípios e trabalhar para empresas que prejudiquem o ser humano ou a natureza que o rodeia. A meu ver, todas as pessoas devem ter uma ideia similar, na realidade isso nunca vai acontecer.

7º Sejam influenciados.
Uma das melhores qualidades do ser humano é o livre arbítrio, e com este, vem a consciência que nos faz tomar acções como seres humanos. Aí devemos discernir o que nos faz ser melhores humanos, sim porque há humanos maus e humanos bons, a nível do design pode não haver ditadores nem coisa do género, mas há sempre quem se aproveite dos outros, do seu nome ou até de trabalhos que não fizeram. Como designers temos que fazer por não sermos influenciado pelo que é prejudicial a outros.

8º Usar a lógica
Temos que entender que estamos a fazer trabalhos para pessoas que muitas vezes não têm as mesmas qualificações do que nós em termos de design, por isso, temos que criar um design que apela a todas as pessoas ou pelo menos ao público alvo, e com isto na nossa mente temos de criar algo que seja compreensível sem sombra de dúvida, ao mesmo tempo que tem uma imagem apelativa.

domingo, 17 de junho de 2012

As frutas sem destino

Era uma vez uma banana, não uma banana qualquer, mas uma banana com sentimentos, ela queria ser um telefone quando fosse grande e ninguém a iria impedir.
A nossa história começa numa cesta (se o leitor estiver a ler isto em voz alta por favor clarifique que é cesta e não sexta, dependendo do seu sotaque é claro). Uma cesta a caminho de uma casa, uma cesta com frutos que nunca imaginariam o seu destino.
As mãos que seguravam a cesta eram belas, suaves ao toque, dedos não muito gordos nem muito magros, perfeitos, e para finalizar as unhas, não estavam roídas e não eram demasiado compridas ou curtas, estavam limpas como o resto das mãos e à primeira vista não havia nada de errados com elas ou com o resto da pessoas a quem pertenciam.
A tragédia, o drama, o horror, estava um cereja convencida de que era o Artur Albarran.
Uma faca não muito afiada encontrava-se junto a uma laranja assassinada, cortada ao meio sem dó nem piedade, os seus fluidos escorriam pela mesa, um fio de sumo dirigia-se ao cano do balcão e começava a pingar em cima dos azulejos brancos e imaculados. Foi nojento.
O pânico instalava-se entre estes seres inanimados, a mão agarrou uma das maças com força, as suas irmãs tentavam desesperadamente gritar com o pânico, mas não conseguiam, não tinham boca.
Num movimento limpo e rápido uma peça de metal entrou pelo topo da maçã até ao fundo, ao sair trouxe consigo o centro da vitima, uma mistura de polpa, caroço e alma; uma visão apocalíptica de polpa a escorrer pela lâmina circular, foi ainda mais nojento.
As restante frutas estavam em puro terror, ninguém sabia que ia ser a próxima.

A carta

“Hoje foi mais um dia, um dia sem esperança um dia sem futuro, um futuro sem esperança. Tudo começa e acaba na nossa maneira de viver, ou de pensar que vivemos, somos iludidos pela falsa realidade que se apodera de nós, acreditamos no que não é, e duvidamos da verdade, consigo ver pela cara dos meus colegas o quanto a vida pesa, eles, mais do que ninguém o sabem, e sabem do que são privados ao estarem aqui comigo ou eu ao estar com eles. Por causa de um ou de outro, prefiro ficar fechado no meu quarto e não sair para o mundo, prefiro viver no meu pequeno mundo e chorar, chorar até me doerem os olhos, penso em tudo o que me trouxe aqui e no que eu podia mudar, mas nada disso me consola, pois por muitas recordações que tenha nenhuma me vai fazer voltar ao passado e mudar tudo o que aconteceu; mudar o destino, essa seria uma boa oportunidade de remediar, mas o que não tem remédio, remediado está, e por isso não me adianta choramingar o como poderia ter sido, mas sim o que vai ser. Por isso, hoje tomo esta decisão, vou ter medo, vou ser tímido e ensimesmado mas, não me vou arrepender, arrependo-me das más decisões, não das decisões pelas quais não caminhei. Mas… mas continua, continua este sentimento de vazio, esta vontade de… nada… uma vontade irrisória de explodir e implodir ao mesmo tempo, uma vontade de espalhar todo e qualquer átomo do meu ser pelo mundo, poder viver, ou melhor, poder contemplar a vida, não ter decisões a tomar, não ter acções a causar, no fundo, não existir!
Como pode ser isto? Estou assim num patamar tão abaixo de cão que nem uma atitude tomo? Porquê? Nem eu sei, quero saber mas não descubro! Vasculhei toda a minha mente numa tal fúria e mesmo assim, nada, nem ponta por onde se lhe pegue! Quero agir, quero parar de sofrer, quero ser reconhecido e não enfrentado com dúvidas, não consigo aguentar tal desconforto, não consigo viver comigo mesmo ao saber que nada vai mudar! Acordo numa agonia que não suporto, penso sempre o que poderá ser hoje, que mal poderá acontecer ou que bem não aconteceu, penso, o que posso fazer, o que pode ser a decisão certa que vai mudar o rumo da minha vida, talvez até decidir se vivo ou se morro.
Infelizmente esta sensação é mais frequente do que eu queria, para dizer a verdade, já não me lembro de não a sentir, mas sinto que morri, já não tenho forças, não tenho forças para lutar, para viver, para caminhar…
Tudo começa com um sabor metálico na boca, depois sentimos a cabeça a ser comprimida e a cair como se fosse empurrada por uma força superior; deitamo-nos e pensamos: - “E agora? O que se está a passar? Porque estou eu assim?” Começamos a pensar o que nos tornou assim, qual o momento exacto, ou quais, e apercebemo-nos de que foi a vida, a vida madrasta pela qual seguimos e fomos guiados, nós não somos medíocres mas fomos esgotados pelas más influências ou vibrações por assim dizer, a própria vida pediu-nos mais do que nós pudemos dar, fomos pisados até ao último calo e mesmo assim continuamos a viver, mas não a viver. Desanimamos, desanimamo-nos mesmo, ficamos deprimidos, encontramos fantasmas e não sabemos como livrarmo-nos deles…
Sinto-me materialista, muito, talvez excessivamente, sempre soube que o fui, mas mesmo agora estou a senti-lo e não o consigo refutar, apetece-me apartar tudo o que tenho, seja como forma de caridade ou simplesmente mais lixo para o mundo, só quero um colchão, folhas e uma caneta, apetece-me não fazer nada, ou fazer, escrever, escrever sem parar, escrever sempre as mesmas palavras e ficar num ciclo repetitivo, infinito talvez, sempre a dizer o mesmo…
Vontade de nada… vontade de tomar uma atitude com duas pedras de gelo, talvez um shot de disposição, voltar a criar, voltar a querer viver; mas é impossível! Ou talvez não, vou enfrentar a vida, fazer frente ao maior espécime que me aparecer ai à porta; seja ele a própria morte ou um colega a cravar um cigarro. É uma escolha de palavras estranha mas amanhã vou viver, vou-me levantar e sair para o mundo. Ou talvez não… quem sabe? Eu não sei de certeza mas por uma vez, uma última vez, vou-me erguer e fazer-me conhecer, berrar aos quatro cantos da terra quem eu sou! Impor-me e expor-me! Estou farto de tudo e de todos, berrem comigo! Só por berrar! Libertar toda esta tensão que nos amassa, que nos rodeia e que nos comprime e nos torna pequenos! Acabei, não consigo escrever mais, tenho que apagar a luz antes que a apaguem por mim. Continuarei amanhã, quem sabe.”









Este é um excerto de um texto redigido pelo doente nº 960634-1337 e que deverá ser entregue á respectiva família juntamente com todos os pertences do mesmo e um pesar de toda a direcção desta instalação.

Vida versus Realidade


Por vezes esqueço-me de viver; de tal forma que o que me resta são escapadelas ao meu mundo privado. “Escrever é esquecer”, maior mentira do que essa não pode haver, escrever é deixar marca, é dar vida, é criar, é lembrar, é... tudo um pouco; escrever é a vida depois da vida. É o fôlego que faltava dar após a morte onde serei relembrado apenas por umas folhas com umas impressões que um dia fizeram sentido para alguém ou apenas para mim mesmo; posso afastar-me de tudo e soltar o deus que há em mim, posso pôr todos os problemas de parte, ignorar a minha vida que aos olhos dos outros é real e voltar a viver. Voltar a viver dentro de mim, dentro do meu portátil e das minhas teclas, dos circuitos que interligam tudo até ao monitor e fazem “isto”, aparecer estas letras que dão asas à minha imaginação e me fazem esquecer o “verdadeiro” mundo. Afinal “Escrever é esquecer”... Esqueço-me da realidade. Só me lembro quando me batem à porta a avisar que tenho contas para pagar e que nenhum livro, poema, ou o que quer que eu tenha escrito foi vendido.
Este é o meu mundo privado.

Comment te dire?


Nem tudo é o que parece, passei tantas vezes por ti e nunca reparaste em mim.
Sinto algo diferente, não é uma simples atracção é uma obsessão doentia, um desejo por alguém que nunca senti e não acho isto normal, mas agora que o sinto, entendo que hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito.
 Também já tive a minha dose dessa coisa a que erroneamente chamam de amor, ou porque foi um arranjinho e não queria perder tempo à procura de outra pessoa ou porque morávamos perto e era mais cómodo, no final nunca acabava bem, eu sabia que faltava mais qualquer coisa, só não sabia que era este sofrimento todo, esta timidez irrisória que nunca me atacou de tal forma, este medo de ser rejeitado, este medo que pode ser chamado de infundado pois nem nos conhecemos.
E agora entendo, parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. O amor não é para ser uma ajudinha à nossa vida, um ombro onde podemos chorar ou nos apoiar quando necessitamos, o amor é para sofrer, para esconder e não o tirar cá para fora. O amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo de apanhar um bocadinho de inferno aberto, o amor é o verdadeiro inferno que nos arde por dentro e nos consume até ao ultimo folgo, não acho que o amor é um estado de quem sente, mas sim algo que nunca deveria ser acordado das nossas profundezas mais obscuras. Talvez por isso isso existam as musas, sim, tu podes ser chamada de musa pois não passarás disso certamente, alguém de onde tiro todas as minhas criações e que nunca irá ser tocada.
Olho para ti quando tenho essa sorte e penso, que o amor puro não é um meio, não é um fim, não é um principio, não é um destino, mas simplesmente o é; é um todo que quando acordado nos hipnotiza em cada hora da nossa vida, já ouvi dizer que a vida às vezes mata o amor, para mim é o contrário, o amor é que nos mata a vida, não temos força para nada ou temos força para tudo; na minha opinião é que independentemente da situação isto se resume ao amor, ficamos moles, desensabidos, sem vontade de fazer nada a não ser morrer pelos cantos, morrer por não trocar uma simples palavra contigo, nem digo uma conversa ou uma frase completa, bastava um simples “olá” para me dar toda a força do mundo, para atravessar paredes, saltar sobre as estrelas e aterrar com um grande estrondo provocando uma cratera que se assemelharia à queda de um meteorito, e aí sim teria sentido a verdadeira felicidade, teria um sorriso estúpido que duraria semanas, isto só por um simples “olá”, nem precisava de o ouvir, bastava ler os teus lábios de onde aparecia a letra “ó”, a tua língua encaixava entre os dentes de cima com os de baixo criando assim o “éle” e acabava num sonoro “à” que não seria ouvido, enquanto os teus olhos azuis quem pareciam emanar uma vida completa olhavam rapidamente para os meus sem a menor ideia da revolução que me vai aqui dentro, e te afastavas sem conseguires ver a minha cara de atónito e que mal conseguia responder de volta, balbuciando qualquer coisa incompreensível. Mas não. Ainda não tive essa sorte, essa força, essa palavra; por isso, sinto que entre nós os dois o amor fechou a loja e não que saber da conclusão a que poderia chegar se algum dia eu tivesse a coragem de ir falar contigo.
Cada dia que passa sinto-me a afastar, a pensar que isto tudo não passaria de algo inimaginável aos teus olhos tão irreais, mas nos segundos em que te vejo diariamente tudo isso dissipa-se no ar; o ar que nos envolve, apesar de tão afastados sinto o teu ar à minha volta como que a dançar e a fazer pouco de mim por ser apenas essa a única forma de estar perto de ti. 
Sim, consigo ver o teu sorriso de vez em quando, às vezes estou parado num banco e noto que estás prestes a entrar no café, e vejo-te a rondar a zona com o teu olhar assassino de um azul estridente que conseguia engolir exércitos, olhas de relance para mim e de vez em quando sai um sorriso. Só esse sorriso vale por mil palavras que aqui possam ser escritas, só esse sorriso acabaria com a fome e guerras do mundo.
Por vezes vejo-te a andar, não, a andar não, a deslizar, a planar. Vejo-te como nunca vi ninguém, observo todos os movimentos e gestos, as ondas da tua roupa que vão vibrando com o vento ou apenas por tu as estares a usar, vejo a tua mão a passar pelos cabelo, soltando-os mais um pouco como que a provar que consegues ser mais bela do que aparentas, apesar de isso ser impossível aos meus olhos secos de não pestanejar, para não perder um milésimo de segundo de ti.
Poderia morrer amanhã que morria feliz por te ter sentido, por teres tamanho impacto na minha vida apesar de nunca termos falado, morria feliz pois duvido que haja hipótese de algum dia me sentir tão feliz como me sinto quando te vejo. Estilhaçaste a minha alma ao apareceres pela primeira vez à minha frente, e desde aí que sinto-me completamente distante deste mundo; as nossas estradas cruzam-se mas nós mantemo-nos à distancia e odeio-te com todo o meu coração, mas acho que te amo...
Sei que nunca vais ler esta carta, e se a lesses provavelmente a acharias ridícula ou algo do género, muito lamechas talvez; mas soube bem escrever, soube bem pensar nas coisas e escrever sobre elas pois daqui a uns tempos quando já não tiver oportunidade de te ver, vou saber como me senti uma única vez na vida, a ser atacado por ti, e pelo amor que está presente algures.

A manhã


Meia garrafa de Wiskey depois começava a contemplar o suicídio, este pensamento só me atravessou a cabeça na manhã seguinte, juntamente com as dores da ressaca de tudo o que tinha atravessado o meu fígado na noite anterior.

O telefone tocou. Era uma dor escondida desde o inicio até ao fim de cada toque. Uma voz de mulher estava do outro lado, não percebi o que queria, grunhi um pouco como resposta e logo a seguir atravessou a linha um berro que me fez dar a resposta: - Vai-te foder! 
Teria sido muito mais dramático se tivesse desligado o telefone com um pousar estrondoso, mas com estas novas tecnologias acabei por carregar num botão que nem era um botão a sério. 

O mundo girava e eu continuava parado.

A história da voz


Era uma vez uma criança, ela falava consigo mesma. Havia alturas em que pensava que estava a falar com deus, outras alturas que esta lhe aparecia do nada como fantasma, até já teve como dono/a uma explicação mirabolante de como ele era um alien que se tinha despenhado neste planeta crescente e que fora obrigado a infiltrar-se no meio dos humanos.  À medida que foi envelhecendo foi-se apercebendo que a voz que ele queria que fosse de alguém, era apenas a sua, era apenas ele a tentar ter algo especial sobre ele, uma distinção que o tornasse melhor aos olhos dos outros, por palavras mais adequadas, ele queria ser o centro das atenções. Essa voz era uma atenção… essa voz era algo que ele achava diferente, essa voz era dele e ele sabia-o. Ao longo dos anos foi evoluindo, ele tornou essa voz em algo que ele achava diferente e com quem ele podia discutir, ela dava-lhe ideias, levava-o à loucura, arranjava soluções em cima da hora, ele sabia que a voz era dele, mas não o queria admitir. Por vezes tentou seguir a história, ia por uma rua como muitas ruas, um passeio com carros encostados à berma, carros esses pousados numa rua que ligava a berma do primeiro passeio à berma do segundo passeio pelo qual ele ainda não tinha passado. A história resumia-se a ele andar, e tentar apanhar o que o rodeava. Mas ao mesmo tempo, não apanhando nada. A voz soltou-se e agora o passeio que qualquer pessoa daria num passeio normal, tornava-se numa escadas. Sempre a descer.
A voz não era forte, nunca o foi demasiado forte, por vezes tomava decisões que ele não tinha coragem para tomar por si próprio. Mas nunca incomodou. Até agora.

A noção das coisas


Hoje em dia toda a gente perde a noção do que as rodeia, há aqueles que estão demasiado ocupados para ver algo que não lhes é remotamente interessante. Mesmo que esse algo remotamente interessante seja um ser vivo, um animal racional ou irracional, a escolha é vossa.
Comecemos com um dilema, uma escolha uma decisão. Não há resposta certa, apenas erradas, mas cada uma mais errada do que a outra, parece que a vida às vezes gosta de nos ver a tentar ser algo que não somos, e de tomar decisões que na verdade não nos compete. Dizer que não nos compete não é necessariamente toda a verdade, como reviravolta vamos dizer que esta decisão nos compete e que se não for tomada morrem milhões de gatinhos bébes. Esclarecendo os prós da decisão (teremos mais gatinhos bébes) esta tem de ser tomada. Decisões; cruéis por vezes, mas necessárias. 
É porquê? Pelo bem da humanidade? Não, pelo teu mundo. Começa a escrever. começa a inventar, algo vai sair. Esta dá-se por memória numero 1, memória apenas de umas palavras, mas de palavras não vindas de mim, palavras vindas de uma voz interior, uma voz que quer sair cá para fora.