Era uma vez uma banana, não uma banana qualquer, mas uma banana com sentimentos, ela queria ser um telefone quando fosse grande e ninguém a iria impedir.
A nossa história começa numa cesta (se o leitor estiver a ler isto em voz alta por favor clarifique que é cesta e não sexta, dependendo do seu sotaque é claro). Uma cesta a caminho de uma casa, uma cesta com frutos que nunca imaginariam o seu destino.
As mãos que seguravam a cesta eram belas, suaves ao toque, dedos não muito gordos nem muito magros, perfeitos, e para finalizar as unhas, não estavam roídas e não eram demasiado compridas ou curtas, estavam limpas como o resto das mãos e à primeira vista não havia nada de errados com elas ou com o resto da pessoas a quem pertenciam.
A tragédia, o drama, o horror, estava um cereja convencida de que era o Artur Albarran.
Uma faca não muito afiada encontrava-se junto a uma laranja assassinada, cortada ao meio sem dó nem piedade, os seus fluidos escorriam pela mesa, um fio de sumo dirigia-se ao cano do balcão e começava a pingar em cima dos azulejos brancos e imaculados. Foi nojento.
O pânico instalava-se entre estes seres inanimados, a mão agarrou uma das maças com força, as suas irmãs tentavam desesperadamente gritar com o pânico, mas não conseguiam, não tinham boca.
Num movimento limpo e rápido uma peça de metal entrou pelo topo da maçã até ao fundo, ao sair trouxe consigo o centro da vitima, uma mistura de polpa, caroço e alma; uma visão apocalíptica de polpa a escorrer pela lâmina circular, foi ainda mais nojento.
As restante frutas estavam em puro terror, ninguém sabia que ia ser a próxima.
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